“Desvio: Sair para Entrar”

Visita a Bragança da Oficina ExpressARTE, no dia 29 de novembro, integrado na premissa “Desvio: Sair para Entrar” do Plano Nacional das Artes.

A primeira saída do grupo ExpressARTE!

Projetámos um dia de emoções e assim se concretizaram das mais variadas formas.

Tudo começou com a visita ao Centro de Arte Contemporânea Graça Morais, em Bragança. Ao entrar, eram notórias algumas caritas de enfado onde nitidamente se podia ler “museus, quadros, estátuas…que chatice!”. Mas, surpreendentemente, estas expressões deram lugar à curiosidade, à descoberta e à participação. Tal foi o entusiasmo do nosso anfitrião Carlos Rodrigues, que depressa deu a volta à mente da “pequenada” e os fez pensar nos porquês daquelas linhas que, vistas com relativa distância, se afiguram como objetos e ideias pintadas. Linhas com tanta sensibilidade e espírito crítico, veiculando as tradições do nosso povo e a força da mulher transmontana.

Sugeriram, os nossos entusiastas artistas, enquanto deambulavam pelas salas de exposição, variadíssimas tradições que alguns deles tão bem conhecem, porquanto as vivem nas suas aldeias a cada ano que passa: a ceifa, a vindima, a apanha da azeitona, a matança do porco… A cara de agrura das mulheres que trabalham no campo de sol a sol, sem que a vida lhes dê o mimo de ajeitar o cabelo na cabeleireira, usando apenas o lenço na cabeça ou até os cabelos longos apanhados em jeito de coque. “Que caras feias!”, exclamavam alguns ao passar pela sala das “Marias”, mas logo perceberam que essas eram as caras de quem sozinha tinha de cuidar das terras e de inúmeros filhos. “Bolas, que diferença! Realmente a minha avó tem assim a cara cheia de rugas e anda sempre com o cabelo apanhado. Pois, agora entendo!!!!”, murmuravam.

Entendemos o quanto eles puderam perceber que a nossa conterrânea Graça Morais nos presenteia com a perpetuação da memória para gerações futuras. O trabalho árduo do campo e a luta das mulheres, que mantiveram de pé a nossa nação enquanto os homens estavam na guerra; que mantiveram vivas as tradições, que hoje lembramos como tal, e que, naquele momento, não passavam de formas obrigatórias de sobreviver.
Nesta ativa consciencialização, foi anunciada a visita à exposição de Valter Vinagre, estando, pensar-se-ia, os ânimos já mais abertos e intuitivos. Quando chegaram à primeira parte da exposição e não viram “quadros pintados”, estranharam e, em jeito de inconformismo, alguns sussurravam: “Isto é que é arte? Umas fotografias de um colchão velho?”. No entanto, estas fotografias originaram a criação de uma dinâmica de suposições sobre um projeto que demorou quatro anos a construir e cujas inúmeras possibilidades de interpretação foram surgindo em catadupa de forma muito natural e animada. Ainda dizem que os alunos não são criativos!!!!

Só estando lá, observando as suas caras de surpresa e a sua criatividade de interpretação, podemos perceber a quão valiosa foi, para os nossos artistas, esta experiência.

Seguiram, sem acusar sinais de cansaço ou desalento, à procura de uma nova experiência que surgiu, precisa e literalmente, no Teatro Municipal de Bragança. Após uma visita guiada, feita pela diretora desta instituição, Drª Helena Genésio, apreciaram o espetáculo de dança contemporânea Inverno. Este, a todos cativou pelo demonstrar das tradições transmontanas refletidas na dança e nos símbolos representativos da mesma.

O melhor? O melhor foi mesmo poder conversar com os bailarinos, fazer-lhes perguntas providas de muita significância e perceber que as mensagens são veiculadas através de diferentes formas de arte. Mas o melhor do melhor foi acabar este dia percebendo o quanto de aprendizagem se conseguiu, inclusive ver lágrimas de emoção e de gratidão pelos momentos vivenciados.

Um bem-haja a todos quantos contribuíram para a alegria dos nossos “pequenos artistas”!
Equipa PNA

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